1ª reunião

GRUPO DE ESTUDOS – ECONOMIA SOCIAL

1ª REUNIÃO VIRTUAL – 11/04/2016

  1. Apresentação do grupo

A reunião inicial do grupo teve início às 18h do dia 11/04/2016 pelo Skype. Estavam presentes Marcia Ferreira, Rafael Zanatta, Vinicius Costa, João Deron, Gabriela Monteiro, Luciana Martins e Valéria de Oliveira.

A reunião enfrentou alguns problemas de comunicação com o Skype e teve início com algumas questões. Rafael Zanatta iniciou a reunião com uma fala sobre a criação do grupo e a proposta de uma rede informal de estudos e ativismo sobre economia social. Após essa apresentação, cada um explicou por que teve interesse em se juntar ao grupo e de que modo cada se interessou pelo debate sobre economia social.

 

  1. Percepções sobre o texto de Karl Marx

Após a rodada de apresentação, todos discutiram algumas reações iniciais ao texto do Marx. Replicamos algumas reações de membros do grupo sobre os argumentos centrais do texto. A primeira pergunta era: existe um “argumento central” no texto? O que o(s) autor(es) defende(m)?

“o argumento geral é a compreensão da produção e dos determinantes do modo de produção capitalista como modo de produção da vida. Modo esse, que o autor deslinda com a complexa gama de consequências e possibilidades de repercussões sociais inseridas no seu contexto. é marcante a estreiteza de relação entre produção e consumo, originando uma gama complexa de subjetividades e de algum modo a determinação de uma cultura de massas, pois segue um olhar amplo das determinações materiais da produção”.

“Sim, ao mesmo tempo apresenta vários conceitos e perspectivas. Entretanto acredito que as relações sociais e processo de vida social se destaca. Este trecho exemplifica – na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; essas relações de produção correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. (Marx). Passando por vários aspectos da produção, distribuição, troca e consumo. Na produção, os membros da sociedade apropriam-se dos produtos da natureza para as necessidades humanas; a distribuição determina a proporção em que o indivíduo participa dessa produção; a troca fornece-lhe os produtos particulares nos quais quer converter o quantum que lhe correspondera pela distribuição; finalmente, no consumo, os produtos convertem-se em objetos de gozo, de apropriação individual”.

Analisamos, também algumas reações sobre a conexão entre o texto de Marx e os estudos sobre economia social. Três trechos refletem a percepção inicial do grupo:

“Não há como estudar economia social sem entender os processos e contradições da economia capitalista. Para se formar uma economia social, em que o lucro não é fator final e objetivo na produção de mercadorias, faz-se necessário estudar os fatores que levaram a sociedade burguesa ao domínio dos meios de produção bem como a essência das relações de classes. Marx é essencial nesse sentido por apresentar uma análise que enaltece o fato de que as relações capitalistas são proveniente de uma construção histórica socialmente determinada”.

“O texto se relaciona com a discussão da economia social pois o capitalismo faz com que a maioria da população abandonem seus laços com a natureza em detrimento ao crescimento e utilização cada vez mais predatória dos recursos naturais de nosso planeta, o crescimento demográfico, ao aumento cada vez maior das grandes cidades, a exclusão social de uma imensa parte maior parte da população mundial, e a economia social procura levar em conta a relação do homem e a natureza e tendo como princípio o uso consciente e a valorização local”.

“A Economia social busca questionar a economia que existe hoje, assim como refletir e propor ações de novas organizações produtivas que possam romper com a mercatilização do mundo e da vida. Desta forma, ao compreendermos sobre valor de uso e valor de troca, assim como a questão do que é a mercadoria, dinheiro, circulação e produção social (indivíduos sociais), podemos com esses elementos entender que uma sociedade de mercado só existe se alimentamo-as em sua própria ótica de ação e reprodução. A partir do momento, que conseguimos que a Economia (hoje vista pelo mercado) que é ao contrário da autonomia individual, tenha um novo olhar sobre seu entendimento e ação, com ênfase a cooperação humana, teremos possibilidades de outras economias. Por isso, o texto escolhido é tão pertinente”.

 

Concordamos que o texto de Marx é valioso pois ele nos permite ter clareza sobre o afastamento ou ruptura metodológica que temos com relação aos manuais de economia ou ao modo simplificado que se pensa a economia no senso comum, como uma “ciência que estuda como os recursos escassos das sociedades são alocados tendo por base as decisões individuais de consumidores, trabalhadores, firmas”. A economia não é a “ciência que analisa as escolhas individuais”. Nós nos opomos a essa visão e colocamos a produção de indivíduos socialmente inseridos e o complexo sociocultural que acompanha o modo de produção como premissas para nossa visão sobre a economia. Nesse sentido, o resgate a Marx é fundamental como crítica metodológica preliminar.

Por fim, discutirmos pontualmente seis perguntas que foram formuladas por membros do grupo:

(1) Fomos capazes de realmente entender a crítica metodológica de Marx ou a forma como a economia é estudada e disseminada ainda se limita aos modelos teóricos criticados nesse texto?

(2) O que significa estudar como indivíduos produzem socialmente hoje?

(3) Será que Marx, ao dizer que o modo de produção implica todo um “complexo sociolcultural”, já não lançou as bases de uma sociologia econômica preocupada com cultura?

(4) O que significa dizer que “a produção é sempre um produto social”?

(5) Se todo trabalho é uma produção social, pois é realizado por indivíduos sociais, porque ainda permanecemos em uma situação tão alienante em relação a conseguirmos outras alternativas de trabalho? isto esta relacionado a que no ponto de vista do grupo?

(6) Vocês acreditam que processos de circulação de dinheiro dentro da comunidade (produção, comercialização e moeda própria), como geração de trabalho no próprio local como a experiência que ocorre na Comunidade Palmas do Ceará, são viáveis para se pensar na Economia Social?

Marcia perguntou aos membros do grupo quem conhecia a experiência do grupo Palmas.[1] Marcia ficou de compartilhar com o grupo mais informações sobre a experiência deste banco comunitário de desenvolvimento.[2]

 

  1. Banco Palmas: um caso de “economia social”?

O grupo concordou em retomar, na próxima reunião, a discussão em cima de um ponto específico: o Banco Palmas pode ser considerado uma experiência concreta de economia social? Por quê? A partir de quais critérios?

 

  1. Hortas Urbanas são economia social?

Por fim, Gabriela questionou, na linha do exemplo levantado pelo Banco Palmas, se hortas urbanas podem ser consideradas exemplos de economia social, em razão do caráter de auto-organização, participação democrática e fins voltados à comunidade.

  1. Encaminhamentos

Rafael propôs uma atividade de encaminhamento para o próximo encontro. Que cada membro do grupo pense em cinco exemplos locais de economias sociais, mesmo sem o critério claro do que configura economia social. O exercício serve apenas para tentarmos ilustrar, com exemplos locais, o que entendemos ser economias sociais.

Como encaminhamento, deliberou-se que:

  • A próxima reunião seguirá com a leitura previamente indicada de Karl Polanyi;
  • Que Marcia Regina irá compartilhar informações sobre o Banco Palmas;
  • Que cada membro do grupo, além da leitura, irá pensar em exemplos locais que poderiam ser categorizados, mesmo que de forma ampla, em economias sociais.

[1] http://www.institutobancopalmas.org/

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Banco_Palmas